As postagens desse blog são em caráter informal, de apego ao saber popular, com seu entusiasmo, exageros, ingenuidade, acertos e erros.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Comentário Exegético da I Carta aos Coríntios (Pastor Oton Alencar)


"Por meio desta obra, a esperança do escritor e pastor Oton Miranda de Alencar é conseguir dar ao estudante da Palavra de Deus - bem como a todos quantos amam a vinda de Jesus Cristo - uma ferramenta que lhes proporcione, ao mesmo tempo, enriquecimento a respeito da cultura bíblica e conhecimento da necessidade que temos de que o nosso homem interior alcance a estatura de varão perfeito."
(Pr José Orcélio de Almeida Amâncio)

Título: Comentário Exegético da I Carta aos Coríntios
Autor: Pastor Oton Miranda de Alencar
Páginas: 262
Editora: Inove
Ano: 2013

Sumário:

Capítulo 1
- Grupos na igreja
- Bênçãos por meio de Cristo
- Divisões na igreja de Corinto
- Cristo: o Poder e a Sabedoria de Deus

Capítulo 2
- A mensagem a respeito de Cristo crucificado
- Sabedoria de Deus

Capítulo 3
- Servidores de Deus
- Dois tipos de ministério e o seu resultado

Capítulo 4
- Apóstolo de Cristo

Capítulo 5
- Impureza na igreja de Corinto, repreensões e exortações

Capítulo 6
- Processos contra irmãos na fé
- Paulo condena a sensualidade

Capítulo 7
- Conselho sobre o casamento
- Uma vida de obediência a Deus
- Conselho para pessoas solteiras e viúvas

Capítulo 8
- Alimentos oferecidos aos ídolos

Capítulo 9
- Direitos e deveres de um apóstolo

Capítulo 10
- Conselhos contra adoração de ídolos
- Respeito pela opinião dos outros

Capítulo 11
- Dois problemas na igreja:
1- As mulheres na igreja
2 - A ceia do Senhor

Capítulo 12
- Diversidade dos dons espirituais

Capítulo 13
- A suprema excelência do amor
- O amor é um dom supremo

Capítulo 14
- O dom de profecias é superior ao dom de línguas
- A ordem na igreja

Capítulo 15
- Ressurreição de Cristo
- Cristo, as primícias dos que dormem

Capítulo 16
- A coleta, seus planos e saudações finais


A obra traz o texto integral da I Carta aos Coríntios seguido de abordagens minuciosas, que consideram o contexto histórico, etimologia, paralelo com outras passagens bíblicas e, sobretudo, reflexões em aprendizagens importantes para a cristandade.

No panorama histórico, entre outros aspectos:
- a carta foi escrita pelo apóstolo Paulo por volta da quinta década d.C; 
- Corinto projetava-se como entreposto comercial e centro religioso das divindades Afrodite e Baco, também chamado Dionísio (relacionadas ao hedonismo); 
- a igreja local apresentava divisões partidárias em quatro grupos distintos (simpatizantes de Paulo, de Apolo, de Pedro e de Jesus); 
- as disputas eram caracterizadas por orgulho, tradicionalismo, ignorância e ausência de amor; 
- haviam escândalos relacionados a brigas (com membros da igreja levando as questões para os tribunais) e relacionados a imoralidade (alguns viviam entre o paganismo cultural e a comunhão com a igreja);
- no hedonismo que imperava na cidade eram comuns orgias sexuais diversas e festas pagãs com banquetes nababescos oferecidos aos deuses, algo a que alguns cristãos se deixavam influenciar;
- a igreja em Corinto tinha também o escândalo de membro que vivia em incesto com a mãe. 

Todas essas informações, entre outras, chegaram a Paulo.

No aspecto teológico, do muito que a I Carta aos Coríntios ensina, registro a ênfase ao viver cristão com humildade, crescimento espiritual nos dons do Espírito Santo, santificação, rejeição à imoralidade, afastamento dos praticantes de escândalos, comunhão em amor nas celebrações da igreja, sensatez na conduta cristã e o viver em amor (expresso de maneira profunda no capítulo 13, onde vemos o verdadeiro amor em edificante mensagem).

A carta é valorosa em ensinamentos e outras coisas são reveladas na bênção do Senhor. 

Muito do contexto repete-se hoje, daí a necessidade da busca e aprendizagens,

O comentarista do livro foi o pastor Oton Alencar (Pastor-presidente da Assembleia de Deus A Pioneira no Amapá). 

Leitura edificante. 

Graças a Deus por tudo!

sábado, 25 de julho de 2020

Histórias Extraordinárias (Edgar Allan Poe)

A segunda vez que leio essa obra, mas agora focando alguns contos, também por estar num contexto de leitura das respectivas versões em quadrinhos. O entusiasmo despertou o interesse em rever no texto integral.

Ainda não lestes Poe? Mano, tem histórias sensacionais!

Caso de O poço e o pêndulo, sobre o sofrimento de um réu ante a Inquisição. A tensão é crescente em dois momentos, diante da morte iminente e diante da possibilidade de libertação. Meu preferido, de leitura empolgante.

Gostas de história de pescador? Uma descida no Maelstrom de certa maneira é, onde um sujeito foi apanhado em redemoinho gigante e aí.... Busque o conto se quiser saber. Surreal o final...

Ficção científica? Claro que o autor enveredou também nisso, mandando o homem para a Lua em um balão. Isso mesmo! Confira em  A aventura  sem paralelo de Hans Pfaall

A investigação policial fica por conta do detetive francês Auguste Dupin, com sua lógica intuitiva antes de Sherlock Holmes existir. 
Vamos ao que interessa. 
Os crimes da Rua Morgue é um dos mais famosos, onde o autor misturou mistério e natureza insólita. Surpreendeu e Dupin deu show! 
Vou registrar algo que não consigo tirar do pensamento... Para mim, o famigerado Estripador de Londres (misterioso até hoje) acirrou sua loucura na contemplação (também) desse conto. Os crimes tem pontos similares, como mulheres trucidadas, uso de arma branca de maneira diferenciada e situações que desafiam a lógica nos porquês. Só um devaneio infundado, viu! Leia-se teoria conspiratória, viajando no conto... Sem dúvidas, o melhor sobre Dupin..
A carta roubada é subsequente, com Dupin um tanto vaidoso pela perspicácia e paciente para dar o desfecho na hora certa em relação a investigação em andamento. Verdadeiro pulo do gato! Não, mais boçal! Gostei do conto.
O mistério de Marie Roget, sobre a morte de uma mulher encontrada boiando no rio. Dupin está na investigação, de um caso que dizem ser baseado em fatos reais...

No ramo investigativo, cabe também referências para O escaravelho de ouro, com uma busca ao tesouro onde o cabeça dessa empreitada desperta desconfiança sobre sua sanidade aos ajudadores, devido postura tão enigmática que assume. 

O sobrenatural permeia a obra de Poe... Metzengerstein ilustra isso (met o quê!?). Ah, é sobre duas famílias inimigas e uma profecia no caminho... O conto diz no que deu... 
Nunca aposte sua cabeça com o diabo é outro surreal. Eu hein! Ele cobra... 
Opa! Opa! Já ia esquecendo de Manuscrito encontrado numa garrafa e sua viagem além da imaginação. Alguém aí parece estar morto...

Dois clássicos de leitura empolgante também: O gato preto, Top 5 na obra de Poe (pelo menos para mim) e O barril de amontilado
Pensando em aspecto comum, tem em evidência a obsessão por sádica vingança, no limiar da loucura. 

A queda da Casa de Usher. Concluí que referencia a ruína psicossomática desencadeada pelas drogas... O pântano entorpecia tudo com seus gases sulfurosos e o narrador fala que o cheiro das flores lhe fazia mal... Cada um com sua subjetividade diante das possibilidades. Leia o conto, de crescente tensão, e tenha suas percepções...

Berenice ilustra a paranoia instigada pela escravidão à melancolia. Pobre Berenice... Uma doença crônica roubou-lhe a saúde, a beleza e a vida. De intacto restou... Opa, descubra no livro! Também revelador que a paixão é doentia quando o materialismo egoísta toma conta...

Willian Wilson e a dicotomia entre o bem e o mal...

A obra encerra com O jogador de xadrez de Maelzel, onde Poe, rei dos mistérios, parece obcecado na revelação dos segredos de famoso artefato, que apresentava-se espetaculoso e misterioso para as multidões... 

Oras! Em devaneios infundados ou não, eu é que não fico também sem alguma percepção desses misteriosos contos... E assim, está ai essa resenha após empolgante leitura, convidativa a descoberta de Poe por novos leitores.

Bela coletânea! Melhor ficaria se fossem incluídos O coração delator e A máscara da morte vermelha. Sensacionais!


Título: Histórias Extraordinárias
Autor: Edgar Allan Poe
Editora: Nova Cultural
Páginas: 414


OBRA ENCONTRADA NO ACERVO DA 
BIBLIOTECA PÚBLICA ELCY LACERDA, 
EM MACAPÁ.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Inventário das Buscas (Paulo Tarso Barros, 1997)

Poesias de Paulo Tarso, cinquenta e duas ao todo, vendo-se anseios, fé, sonhos, lutas, amores, satisfações e tristezas, numa percepção de lirismo sensível a preciosidade da vida. É uma bela visão, com humildade, receptividade a aprendizagens e esperança, em que situação for.
"INVENTÁRIO DAS BUSCAS", que inicia e da nome a obra, é a mais antiga poesia do livro (1984), também das mais bonitas, em belo devaneio instigado por anseios, revelando-se Macapá na caminhada e buscas do poeta como descoberta e destino aprazível.

Bela obra para ser redescoberta pelos amapaenses!

Título: Inventário das Buscas
Autor: Paulo Tarso Barrros
Editora: Tarso
Páginas: 46
Ano: 1997


INVENTÁRIO DAS BUSCAS

Nessa manhã deixo a vida cair como a chuva
nos poliedros dos olhos e nos invisíveis
espelhos cromáticos dos meus espíritos.
Em mim, que sinto e tento explicar,
digladiam-se os liquefeitos sonhos de anos e anos,
de esperas e esperas, com anjos e demônios
que despencam do horizonte como perfuratrizes
assassinas sobre a minha sorte.

Nas desfeitas ondas, irmanadas aos abismos
para onde fomos exilados (como se fossemos paranóicos),
a síndrome imensurável da Terra
é compactada na minha percepção de poeta.
E a minha visão, que decola de sua órbita natural,
busca os infinitos do Criador.
E deixo a vida viabilizar-se, amar seus amores,
escrever seus poemas e buscar-se, sempre.

Como um animal volto ao meu lar
e contemplo vossos telhados, Macapá.
Contemplo a absurda e fria calmaria das praças
moldadas na linear paisagem urbana.
Volto a casa como um poeta do século XX,
com meus livro de infinitas páginas em branco,
minha dor de cabeça proletária e civil.
Os bares já estão vazios e tudo é muito ambivalente,
e tudo vai explodir na madrugada setentrional.

Caminho por Macapá e tenho bilhões de irmãos
espalhados e confusos nesse planeta solitário.

(1984)

Conheça um pouco mais do autor e suas obras

sábado, 18 de abril de 2020

Dancing in the street (The Mamas & The Papas, 1966)


Uma doce música, com graciosidade, felicidade, entusiasmo e sonhos, para animar no momento tenso e difícil em que estamos. 
Olha o swing da garota!

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Histórias do meu povo (Esmeraldina dos Santos)


Trata-se de um trabalho pequeno, feito com naturalidade e talento, que instiga pela dolência e pelo profundo amor da autora pelas pessoas e lugares que descreve, como o Curiaú e o Laguinho. É um livro escrito com o coração, diria, e com a humildade de quem sabe dar valor às suas recordações pessoais. É, ainda, uma contribuição poética à nossa memória coletiva.
FERNANDO CANTO
(Texto de apresentação do livro)

Título: Histórias do meu povo
Autora: Esmeraldina dos Santos
Ano: 2002
Páginas: 40
Editora: Confraria Tucuju/PMM

O livro é essencialmente um relato nostálgico, carregado de emoção, orgulho e riqueza de detalhes sobre o cotidiano, seja de outros tempos ou do presente, com curiosidades ligadas à natureza, aos antepassados, às festividades, às lutas e conquistas, em leitura fluida, de veracidade singela e tocante, no resgate da história, valores e identidade do Curiaú. Narrativa sobretudo encantadora na percepção da terra.

EM MACAPÁ,
A OBRA ESTÁ DISPONÍVEL PARA LEITURAS NA
BIBLIOTECA PÚBLICA ELCY LACERDA

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Aventuras na Guiana (Raymond Maufrais)


Diário da derradeira expedição de Raymond Maufrais, jovem explorador francês desaparecido na Guiana Francesa em 1950.

Sobre o autor, Maufrais acumulara experiências em expedição no Mato Grosso, em 1946, quando juntou-se a equipe brasileira na meta de contato com os Xavantes, redundando na publicação Aventuras em Mato Grosso.

Fato interessante é que fez parte também da resistência francesa na Segunda Guerra, enquanto jovem aspirante ao jornalismo, sendo condecorado com medalha pelas lutas de libertação de Toulon (sua cidade natal).

Após retornar do Brasil, recebeu patrocínio de revista francesa para expedição pioneira na Guiana Francesa, onde atravessaria a colônia no sentido norte-sul, adentrando a selva rumo ao Tumucumaque no Brasil (trajeto desconhecido) de onde pretendia chegar a Belém e ao Maranhão.

O diário tem poucas páginas, sendo encontrado em região erma. Segundo o autor, para que fosse recuperado, quando estava em situação precária e duvidando da sobrevivência.

Os relatos iniciam em Paris, em 17/06/1949, nos preparativos para a expedição, e finda em 13/01/1950, com os últimos registros de Maufrais na fronteira da Guiana Francesa com o Brasil.

Está dividido em quatro partes, que são determinadas por  certas etapas da expedição.

Em termos gerais, a primeira parte é curta, destacando o embarque em Paris e o início da expedição no norte guianense, a partir da cidade de Saint Laurent. Destaca-se o entusiasmo do autor, que tinha 24 anos e via nessa jornada reconhecimentos por protagonismo e ineditismo expedicionário no trecho do Tumucumaque. Vemos também visão pessimista de moradores locais, com palavras de desencorajamento e certo vaticínio nas últimas linhas.

A segunda parte corresponde ao trecho até Maripasoula, percorrido através de rios com ajuda de pirogueiros. Os registros mostram dificuldades que pareceram minimizadas durante os preparativos, como as chuvas intensas, trechos com corredeiras em que a embarcação virou, febres que acometeram Maufrais e seus ajudantes, ataques de morcegos vampiros durante a noite, dificuldades no transporte (por conta de equipamentos inadequados, como mochilas frágeis) e escassez de mantimentos.
A parte tem também curiosidades locais, como referências ao samaracás, além de descrições sobre a região (teriam avistado sucuri que calcularam em 12 metros... será?). 

A terceira parte corresponde ao direcionamento à região do Tumucumaque, no Amapá, feito inicialmente através de rios e depois em trecho desconhecido, em que o explorador adentrou a selva amazônica apenas em companhia de seu cão Boby, buscando determinado rio.
O texto até então objetivo passa a ter muitas divagações, com Maufrais combalido por fraqueza, fome, reconhecendo descuidos e com certo desespero. Notamos estar perdido e abalado mentalmente. Os relatos finais dessa parte são bastante melancólicos, diante de constatação de erro de avaliação.

A última parte é chocante, como no abate do cão para usar como alimento diante da fome, com exaustão dominante. Maufrais conseguiu chegar ao rio Tamouri, em região pouco explorada, onde mudou a meta para alcançar acampamento de garimpeiros, de relatos não precisos. Fez uma jangada, mas padeceu com a fraqueza, perdendo assim o meio de transporte e equipamentos. Nítido o desconhecimento preponderante da região, além do abalo psicológico.
Um povoado foi alcançado, mas estava abandonado...
Os relatos tem tom de despedida, há reconhecimento de despreparo em muitas medidas adotadas, a fome é intensa, as forças esvaem, o desespero se faz presente, o autor se despede, deixa o diário para que possivelmente seja recuperado e some na selva, para nunca mais ser encontrado.

A notificação do desaparecimento trouxe seu pai para a Guiana Francesa, onde realizou mais de 20 melancólicas expedições em busca do filho, com mergulhos no último rio dos relatos, mensagens e sinais deixados pelo caminho. Tudo sem sucesso, o que levou também a mãe a depressão e internação.

O texto não é rico em detalhamentos da selva e o que essencialmente instiga é a percepção da necessidade de equilíbrio nos projetos, entre disposição e preparativos adequados. Não se sabe a causa exata da morte do explorador, mas esses fatores foram influenciadores.

Muito nativos temiam a selva devido a desinformação e o despreparo para lidar com as situações, fortalecendo crendices e medo em resposta. Algo que Maufrais não conseguiu superar, pois diante de seu desafio, respondeu com desinformações e despreparo para situações que deveriam ter sido previstas. O registro traz essa percepção, como na falta de mapas (quando alegou que os que teria acesso foram roubados de livros da biblioteca em que buscava informações). Há lamentos também pelas mochilas inadequadas, falta de alimento, falta de cobertores ideais para proteger do frio, a questão de não ter previsto e se preparado para ataque dos morcegos vampiros, as doenças tornaram-se mais suscetíveis, ocorreu perda de equipamentos, dificuldade com armas, dinheiro insuficiente, desconhecimento brutal da região... Enfim, gigantesca falha no planejamento.

Não é obra empolgante por relatos extraordinários sobre a natureza, mas como reflexão sobre a vida e seus desafios.

Tenho crítica ao tradutor, Carlos Chaves, que vale também para os editores. O texto preserva muita coisa da linguagem francesa, no que se refere a designações à natureza e até mesmo a objetos. Se escolheram não "abrasileirar" a informação, que tivesse então notas referenciais. O livro é pobre delas, podendo-se conta-las nos dedos de uma mão.
Cito exemplos da falha na edição: o autor fala dos gimnotos (não poderiam escrever poraquês?) e conta do temor de nativos pelos aimarás (que descobri serem os trairões). Esses são os que descobri o significado, mas fiquei sem saber o que seriam os paranas (que tipo de macaco é esse?), os masailles com porte de pavão, os iaiás (peixinhos de sei lá que espécie), os pecaris (peca o que?), além de apetrechos como anorak de caça...

Vou deixar em registro frase nos escritos finais de Raymond Maufrais:

"Oh! Guiana! terra desconhecida. Não és tu, nem o esforço que matam o europeu; é ele que se suicida e, como lhe é preciso um pretexto, escolheu-te como bode expiatório."
Registro de 12/01/1950, um dia antes do último.

OBRA ENCONTRADA NO ACERVO DA 
BIBLIOTECA PÚBLICA ELCY LACERDA, 
EM MACAPÁ.

domingo, 15 de dezembro de 2019

"Viva a Vida - você não está sozinho" (Campanha de Enfrentamento ao Suicídio)


"Viva a Vida - você não está sozinho" 

Quando tudo parece difícil
E a vida parece não ter sentido
Abra seu coração
Um abraço, um amigo, um irmão
É só um momento e tudo tem solução
Essa dor vai passar com o vento


A vida é bonita, pode acreditar
Que a felicidade em tudo está
Num canto de amor
Que vai ecoar em toda cidade!

Viva a vida! Viva você!
Vale a pena viver
Tenha fé, que a esperança é quem diz
Você nasceu pra ser feliz!

Videoclipe lançado em 10/12/2019 em Campanha de Enfrentamento ao Suicídio, com a participação de 16 artistas amapaenses e apoio da Assembleia Legislativa do Amapá/Rede Amazônica.
Fonte: g1.globo.com

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Além dos Marimbus (Herberto Sales)

Em "Além dos Marimbus", o cenário é a região já exaurida pelas bateias dos faiscadores. A causa da miséria não é mais o diamante. É a madeira que, nos anos 20 e 30, já atraía a cobiça que devastava florestas e matas. 
Inovando o gênero com a técnica e a linguagem de seu primeiro livro, Herberto surpreende o leitor de hoje com a visão pioneira da ecologia que, naquele tempo, não entrara ainda no vocabulário e na preocupação do homem contemporâneo. Até então, a abordagem crítica via nele mais um regionalista, do porte dos grandes nomes da safra nordestina que emergira na década de 30.
CARLOS HEITOR CONY


Título: Além dos Marimbus
Autor: Herberto Sales
Editora: Civilização Brasileira
Páginas: 250 
Ano de Publicação: 1961

Romance ambientado em Andaraí, Bahia, na década de 1940, publicado em 1961. A sensação é de retrato da terra, de forma objetiva e informativa, com bastante veracidade ao contexto especialmente por ser a terra natal do autor.

Não são as personagens que se destacam, mas a relação homem-natureza, em dois momentos distintos.

Inicialmente temos uma visão telúrica, destacando-se Manuel João entre as personagens. Canoeiro e mateiro, além de outras ocupações do homem simples integrado à terra, sua companhia proporciona olhar revelador da natureza e região em seu primitivismo, dominada por marimbus (uma região de área pantanosa), matas, pessoas simples e misticismo. Há diálogos sobre lendas, dificuldades enfrentadas e histórias de exploração ao homem (como a de Maria, que fora seduzida e relegada à prostituição). O ponto alto foi o relato do encontro com um 'sucuiuiu' (forma como a temida cobra era conhecida naquelas paragens) na dramaticidade do saber regional.

O outro momento de destaque, e mais significativo do livro, é a percepção do empreendedorismo de sucesso, onde histórias de interesses escusos e até mesmo desleais se projetam na visão do progresso. O contexto revela recursos naturais decaindo em certas atividades, como o garimpo, e as matas passam a despertar interesse madeireiro (deparamos com frases como 'comprar a mata'...). O momento dá destaque ao personagem Jenner e sua visão de sucesso através da instalação de uma serraria. Registre-se que a percepção é de negociatas associadas à exploração devastadora, em conflito de interesses com facetas ordinárias encabeçadas pelo Dr Barreto. Dá sensação de um mundo em transformação onde todos os elementos vistos no primeiro momento parecem insignificantes em prol dos objetivos. Essas coisas não são explícitas em palavras, mas são percebidas no desenrolar.

Não é uma obra de exaltação específica à personagens, prevalecendo a percepção do contexto que se desenvolvia e impactava a região e o homem. O que a obra sugestiona...

A leitura é curiosa em seu contexto na década de 1940, com reflexões válidas ainda para a atualidade. Se teve ou não intenção, existe um pioneirismo ecológico relevante.

Em Macapá, está disponível para leituras na
BIBLIOTECA PÚBLICA ELCY LACERDA

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Árvores em Macapá

Fotos antigas de Macapá mostram sempre uma cidade bastante arborizada.
   Fórum de Macapá na Av. FAB, década de 1990 (Acervo Museu Joaquim Caetano da Silva) Caixa d'água no Buritizal, década de 1990 (Acervo Museu Joaquim Caetano da Silva)

A realidade hoje é diferenciada com o corte crescente, 
mas ainda vemos a presença marcante das árvores. 

Rua Tiradentes, 2014 (Foto de Rogério Castelo)
Ainda bem! 
Bom sempre lembrar!

Esse é um registro de algumas árvores que se destacam na cidade, 
seja pela imponência, seja pela história de muitas décadas.

O trecho final da Av. Antônio Coelho de Carvalho tem grupo com porte e beleza diferenciada. Não soube identificar a espécie e os moradores das proximidades sabem apenas que foram plantadas pela prefeitura na década de 1970. Outras  existiram no local, mas foram derrubadas em razão das proporções e raízes invasivas, existindo também o desejo de corte das remanescentes. Veja aí se são mesmo diferenciadas...

Vamos conferir outras!
Faveira no Centro.
Foto extraída do blog de Alcilene Cavalcante, creditada a Adson Lins
A Faveira na Av. Iracema Carvão Nunes (Centro) é uma das árvores mais conhecidas da cidade. Considerada centenária, tem sido envolta em processo judicial para a derrubada, com manifestações contra e a favor de bastante repercussão na mídia. 
 No momento, limitaram-se a cortar boa parte da frondosa copa.
Samaúma no Araxá (Foto de Chico Terra)
Outra famosona é a Samaumeira em frente ao Ministério Público, no Araxá, onde eventualmente realizam saraus.
Eucalipto no Trem.
Eucalipto na Escola Santina Rioli, no Bairro do Trem. Árvore que também tem seu destaque, última remanescente de arvoredo similar na escola. Muita gente até hoje vai em busca de suas folhas para remédios caseiros.
Tamboril na Zona Norte de Macapá.
Na Zona Norte de Macapá (Rod. Tancredo Neves, trecho de frente ao Residencial Vitória-régia), encontramos também árvore de bastante destaque (registrei em momento de muda da folhagem).  
O povo que transita por lá, e também moradores, tem vontade de saber o nome, ignorado por quase todos. Informalmente fiz algumas pesquisas (mas quem pode confirmar são os estudiosos da área) e concluí como Tamboril (nome que mais aparece nas descrições literárias, chamada também de Timbaúba, Orelha-de-macacoFaveira-Tamboril, entre outras denominações).
Registro em 15/11/2019. O exemplar tem cerca de 30 metros de altura.
Eis o tronco e o fruto que coletei, razão da denominação como Orelha-de-macaco. Existem pesquisas em andamento com essa árvore sobre medicação contra o câncer.
Samaúma, Mungubeira e Paricá no Museu Sacaca.
A visitação no Museu Sacaca é sempre um interessante passeio, onde se destacam árvores como a Samaúma, Mungubeira e Paricá.
Em 1989 fiz singelo desenho de uma das árvores da Praça Zagury, clicada agora, depois de 30 anos...

"Árvores são poemas que a terra escreve para o céu."
( Khalil Gibran )

Ipês, mangueiras, jambeiros, oitis... Centenas de árvores podem ser encontradas em Macapá, todas com sua representatividade.

Falta um projeto que valorize o plantio de um Amapazeiro em local de visitação pública, preferencialmente praça, afinal, é a árvore que dá nome a nosso Estado e não a encontramos em canto nenhum dessa cidade. Muitos amapaenses nem conhecem, principalmente a garotada... Taí uma sugestão para os gestores do município.

Finalizando, o texto mais interessante em analogia sobre as árvores. 
Vale a reflexão!


Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, 
nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.

Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.

Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, 

a qual dá o seu fruto no seu tempo; 
as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.

Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha.

Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, 

nem os pecadores na congregação dos justos.

Porque o Senhor conhece o caminho dos justos; 

porém o caminho dos ímpios perecerá.
SALMO 1