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quarta-feira, 27 de junho de 2018

HISTÓRIA DA ASSEMBLEIA DE DEUS NO AMAPÁ (Revista de EBD)

Há 101 anos nascia a Assembleia de Deus no Amapá, a primeira igreja evangélica amapaense, fundada pela iniciativa pioneira e determinada de um pequeno grupo em 27/06/1917, em culto presidido pelo pastor Manoel José de Matos Caravela. História com desdobramentos abençoados, que servem hoje de inspiração para a congregação estabelecida, estudada em Revista de Escola Dominical no ano passado. A edição é valorosa no resgate histórico, com várias ilustrações do contexto.

Lições estudadas
01) Como tudo começou
02) O poder de uma visita
03) A fundação da igreja no Amapá
04) Os primeiros pastores fixos
05) O 1º templo é construído
06) As décadas da consolidação
07) A caminho do interior
08) A igreja cresce pelos departamentos
09) Os jubileus: Prata, Ouro e Diamante
10) Heróis anônimos
11) O legado da família Alencar
12) A igreja mãe e suas filhas ministeriais
13) A geração do centenário

Na elaboração, a supervisão editorial foi feita pelo Pr. Oton Miranda de Alencar e os comentários pelo Pr. Besaliel Rodrigues, que presidiu uma comissão histórica, entre membros e apoiadores, composta por: Gedielson Oliveira, Áurea Tito, Leiliane Bruce, Kelly Rodrigues, Cláudio Roberto, Carlos Laerte, Mércia Vanessa, Anderson Oliveira, Iaci Pelaes, Gesiel Oliveira, Odete Penafort e Aroldo Vasconcelos.

Mais informações sobre a igreja em

quarta-feira, 30 de maio de 2018

História de Marabá (Maria Virgínia Bastos de Mattos, 2013)

Este livro é um trabalho feito com a determinação de quem pretende socializar o conhecimento do que ocorreu e ocorre na região de Marabá, desde os primórdios de sua ocupação até os dias atuais. E começa bem: pela história dos remanescentes indígenas que ainda resistem neste mesmo espaço. Depois vem o 'branco', e a mistura de povos e atividades como a extração do látex do caucho e da castanha-do-brasil, o garimpo de diamantes, de cristal de rocha, de ouro, de ferro, de cobre. Interesses e fatos vários se dilaceram na Guerrilha do Araguaia, na abertura de estradas, no fortalecimento da pecuária e extração de madeira. Grandes e pequenos disputam e se digladiam por terra e lugar ao sol. (Gutemberg Guerra)

 
Literatura Paraense
Título: História de Marabá
Autora: Maria Virgínia Bastos de Mattos
Editora: Fundação Casa da Cultura de Marabá - FCCM
Páginas: 190
Ano: 2013 (2ª edição, revisada e aumentada)

Sumário
01) Primeiros habitantes
02) A ocupação pelo homem 'civilizado'
03) O Burgo do Itacaúnas e a descoberta do caucho
04) Marabá, primeiros tempos: da origem a 1920
05) Marabá, de 1923 a 1940
06) O ciclo da castanha-do-pará
07) Garimpos de diamantes e de cristal
08) Os anos de 1940 e 1950, os 'Soldados da Borracha': nova fase de exploração do caucho
09) A posse da terra e o incremento da pecuária
10) Chegam as estradas... e tudo começa a mudar
11) A Guerrilha do Araguaia
12) Serras dos Carajás
13) Conflitos fundiários: posseiros, grileiros e fazendeiros
14) Crescimento urbano de Marabá até 1960
15) As enchentes
16) Serra Pelada: muito ouro, poucos ricos
17) A década de 1980
18) Conflitos e organização no campo
19) Alguns acontecimentos da década de 1990
20) A indústria siderúrgica
21) Outras indústrias metalúrgicas
22) Os anos 220 a 2013
23) Violência e impunidade, os desafios do século XXI
24) Riquezas naturais
25) Datas importantes da História de Marabá
26) Marabá: o hino, a bandeira e o escudo

Não conheço Marabá, município paraense, mas me interesso pela leitura sobre as cidades na Amazônia, em suas histórias e peculiaridades. Dá para estabelecer contrastes e paralelos, que apontam aspectos comuns na ocupação da região em políticas no trato com o ambiente, população e exploração dos recursos naturais.
Encontrei esse livro por acaso em uma sala de leitura e logo me entusiasmei pelo passeio em suas páginas.
A impressão que tinha se confirmou em relação à obra, que mostra em primeiro momento os povos indígenas, descrevendo em seguida a chegada dos colonizadores, conflitos, estabelecimento de cultura extrativista, exploração em larga escala de recursos naturais e impacto ambiental.
A questão indígena é bastante conflituosa e a autora traz relatos de embates que praticamente dizimaram algumas populações. Alguns desses relatos são apresentados como barbárie e tornaram-se mais evidentes a partir da década de 1920, quando iniciou a construção da Estrada de Ferro Tocantins.
No extrativismo, o destaque foi para a extração do látex do caucho e exploração da castanha-do-brasil (prefiro esse nome). Os grandes empreendimentos se estabeleceram na exploração mineradora de diamante e ferro, destacando-se o empreendimento em Carajás. Repete-se o cenário comum na Amazônia de empreendimentos em grandes latifúndios, conflitos no campo, exploração da mão de obra com salários mal remunerados, pressão sobre o meio ambiental e reversão de poucas benfeitorias locais em relação à riqueza explorada.
Nas peculiaridades da região, a fundação de Marabá foi em 1898, quando houve o estabelecimento de um barracão comercial no ponto de encontro entre os rios Itacaiúnas e Tocantins. O barracão tinha por nome Marabá, como uma homenagem ao poema de Gonçalves Dias. Esse aspecto geográfico é representado na bandeira municipal. Em 1913 o município foi oficializado.
A história mostra conflitos que tiveram repercussão mundial, como o massacre de trabalhadores sem terra em Eldorado em 1996. A autora ressaltou que os dados mais recentes do IBGE, na época de lançamento do livro (2013 - 2ª edição), apontam o município como um dos mais violentos do país (4º), principalmente em relação ao campo e à delinquência juvenil. A origem estaria nas impunidades na esfera da justiça, fiscalizações precárias e policiamento deficiente.
Segundo a abordagem, é uma região com muito potencial de riquezas naturais, mas também com muitos conflitos, exploração pouco sustentável e desenvolvimento desigual para a região em relação à riqueza explorada.
Aspectos que a leitura faz perceber, evidenciados pela autora (também estudiosa de História e bibliotecária).
Penso que faltou referências para a parte cultural da região. Certamente tem coisas sensacionais para descoberta e leitura.
Um registro final, o livro é uma segunda edição, atualizada pela autora em celebração ao centenário do município em 2013.
Valeu a leitura! Gostaria de descobrir mais coisas e quem sabe um dia visitar a região.

Marabá (Pará). Vista frontal da cidade e sua orla no encontro dos rios Itacaiúnas e Tocantis. (Foto: Ricardo Teles, estraída de portalcanaa.com)

Em Macapá, a obra pode ser consultada 
na Biblioteca Ambiental da SEMA 
e na sala de pesquisas 
do Museu de Arqueologia e Etnologia do IEPA.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Revista ICOMI Notícias Nº 21 (1965)

Edição 21, publicada em Setembro de 1965. Destaques para:
- Terra fértil, a agricultura no Amapá é caminho para o progresso:  enfatiza que as terras amapaenses suportariam grandes empreendimentos, a serem desenvolvidos pela COPRAM e BRUMASA.
- Operação Rio Amapari: sobre parceria da empresa com ribeirinhos, em exemplo de dinamização de setores econômicos em região não desenvolvida.
- Leandro Tocantins encontra a casa ecológica no Amapá: texto apresentado em conferência sobre a Amazônia (realizada em Belém e Manaus), registrado na obra 'Região, Vida e Expressão', do professor e pesquisador Leandro Tocantins.
- Amapá sempre alerta: relato da viagem de grupo de escoteiros amapaenses ao Rio de Janeiro, para participar do I Jamboree Pan-Americano.
- Madeira, riqueza nova para o país: enfatiza a riqueza florestal amapaense e a importância da instalação da BRUMASA para promover desenvolvimento.
Como se observa, edição meticulosa na propaganda institucional. 

IMAGENS DA EDIÇÃO
Encontro de escoteiros do Amapá com os de Minas Gerais (ICOMI - ICOMINAS), no Rio de Janeiro, por ocasião do I Jamboree Pan-Americano. 
 Ilustração da Operação Amapari.
 Ribeirinhos do rio Amapari.
 Ilustração da Operação Amapari.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Revista ICOMI Notícias Nº 20

Edição de Agosto de 1965, destacando:
- Mais minério, mais divisas - exportar minério é enriquecer o Brasil: a reportagem fala da exportação do minério de Serra do Navio (estimada em 800 mil toneladas anuais), dando ênfase aos "royalties", impostos e salários vultuosos que seriam revertidos para o Território Federal do Amapá.
- A hora antes do amanhecer: continua a série sobre os municípios do TFA apresentando Mazagão, em breves aspectos históricos e econômicos. Nada falaram sobre a Festa de São Tiago, o que acredito ser um lapso grande.
- O Mistério da Amazônia Misteriosa - um simples problema de confiança: texto enfático a necessidade e importância de exploração da Amazônia. O autor inicia a abordagem citando o romance de Gastão Cruls (A Amazônia Misteriosa), que é uma ficção científica publicada em 1925, insinuante a segredos e experimentações esdrúxulas na região. O que se desejava, na revista, era mostrar que os segredos amazônicos são suas potencialidades e os investimentos propostos só promoveriam o desenvolvimento, numa forma de desmistificar qualquer visão negativa.
Lembro aos amigos que me limito em descrever o que a revista apresentou. 
ALGUMAS IMAGENS:
Ilustração ao desenvolvimento proposto na Amazônia. 
 Mulheres do Mazagão dançando o Sairé.
 Mazagão Velho.
Largada para a "I Volta de Serra do Navio" (1965), prova com 5 mil metros.

terça-feira, 8 de maio de 2018

O Marabaixo através da História (Fernando Canto, 2017)

Divulgando mais obras do acervo de nossa Biblioteca SEMA-AP, em Macapá. Essa é do escritor Fernando Canto, com um breve estudo sobre o Marabaixo. No lançamento, em 2017, foi apresentada com o seguinte parecer:

Nos 259 anos de existência de Macapá, um dos mais conceituados escritores e sociólogos da Amazônia, Fernando Canto, presenteou a cidade e seus moradores com o lançamento de nova obra literária: O Marabaixo através da História. O livro, nascido de uma palestra feita no Marco Zero do Equador por ocasião de um evento turístico, propõe uma explanação didática sobre o Marabaixo no Amapá, seus rituais e sua importância enquanto elemento cultural característico do estado, mas, sobretudo, do município de Macapá. Trata-se também de uma colagem de textos escritos ao longo do tempo e publicados em jornais da capital e em livros de Fernando Canto. Vemos vários rituais que compõem essa manifestação e personagens que dão vida à tradição – tocadores de caixas (tambores), cantadores e dançadeiras – que, em sua maioria, são descendentes de negros que habitavam as localidades de Mazagão Velho, Maruanum, Curiaú e os bairros Laguinho e Santa Rita, antiga Favela.  
(RITA TORRINHA)

Título:  O Marabaixo através da História
Autor: Fernando Canto
Editora: PRINTGRAF
Ano: 2017
Páginas: 50

Sumário: 
- O Marabaixo no século XIX
- As perseguições
- A Festa do Divino Espírito Santo em Mazagão Velho / Conjecturas
- O Encontro dos Tambores
- Marabaixo em agonia: o surgimento da Marabaixeta
- Banzeiro do Brilho de Fogo / Origens
- As rupturas
- O "Ladrão de Marabaixo"
- A chegada do primeiro avião
- A caixa do Marabaixo
- Considerações finais 

Fragmento da tela "Marabaixo"
de Ivam Amanajás.
Fernando Canto é um dos principais pesquisadores e protagonistas na cultura amapaense, com várias obras nos segmentos da música, poesia, contos, crônicas e estudos de conotação histórica e sociológica. Essa obra enriquece a bibliografia sobre o Marabaixo, principal manifestação popular no Amapá, tema também de outras obras do autor. Foi lançada em 2017 e o que caracteriza sua identidade é a apresentação sucinta do tema, valorizando a origem, aspectos históricos, peculiaridades e perspectiva almejada pelo autor na preservação cultural. Certamente, ferramenta preciosa como fonte de pesquisas para a comunidade estudantil.  
Entre os destaques, o resgate de jornal amapaense do século XIX sobre o festejo (texto ácido e preconceituoso no olhar de outros tempos), breve relato dos conflitos entre a cultura popular e a religião instituída, e a investigação histórica da origem de algumas particularidades: o Ladrão de Marabaixo, a Festa do Divino Espírito Santo, o Encontro de Tambores na UNA e o uso das caixas de Marabaixo na percussão.  
De tudo, gostei principalmente do relato da chegada do primeiro avião no Amapá (em ilustração de fatos instigantes aos "ladrões de Marabaixo") e a investigação da origem do nome do festejo. É clássico, desde o livro de Nunes Pereira (O sahiré e o marabaixo, publicado na década de 1950) a associação com a vinda de povos afro, na travessia e andanças MAR ABAIXO, mas nunca tinha visto a associação do nome em outro sentido, relacionado à cultura malê, que Fernando Canto resgata do estudo do escritor Távora Buarque (leia o livro se quiser saber, pois esse spoiler não vou registrar).  
É uma obra dinâmica na apresentação dos fatos, de leitura fácil e rápida. 
O único aspecto que não curti foi a ausência de fotografias, algo que agregaria olhar mais detalhado na importante manifestação cultural.
(Registro no SKOOB, em 05/05/2018) 

Para a galera interessada, está disponível para consultas na 
Biblioteca Ambiental da SEMA, em Macapá.

domingo, 6 de maio de 2018

Revista ICOMI Notícias Nº 19 (1965)

Edição de Julho de 1965. Entre os destaques:
- A fábrica de gelo de Serra do Navio: produzia e distribuía gelo gratuitamente às comunidades nas adjacências da Vila de Serra do Navio e EFA. O texto a exalta pela importante e anônima contribuição para a economia regional. Ué? Nunca tinha ouvido falar dessa fábrica!
- Amapá, uma economia em mudança: sexta reportagem de uma série sobre o Território Federal do Amapá. Destaque para os planos, estudos e expectativas para a construção da Hidrelétrica do Paredão.

IMAGENS DA REVISTA:
 Orla de Macapá (1965)
 Alunos da Escola de Vila Amazonas em atividade relacionada ao Dia da Árvore.
Alunos da Escola de Vila Amazonas visitando a Fortaleza.
Cachoeira do Paredão com seus 9 metros de queda d'água, onde seria construída a barragem da Hidrelétrica.
Município de Mazagão, assunto para a próxima edição.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Revista ICOMI Notícias Nº 18 (1965)

Edição de Junho de 1965.
- Surge IRDA para desenvolvimento: sobre o Instituto Regional de Desenvolvimento do Amapá, estabelecido em maio de 1965. Segundo o texto, se destinaria à pesquisas sobre problemas sociais e econômicos do Território Federal do Amapá, indicando soluções para o desenvolvimento.
- 23º aniversário da ICOMI no Amapá: festejos nas vilas.
- Município de Amapá, sua história e sua gente: quinta parte da série "Revelando o Amapá". É a principal reportagem dessa edição que, em seis páginas, recapitula a história regional e a realidade do contexto de época.
- Funcionários do mês: "Seu" Jonas / Claudethe Santana da Silva
- O craque do mês: Carlos Alberto Amaral da Silva (Carlitos).
Imagens da revista:
Na Escola Paroquial, mantida pela Associação das Senhoras de Vila Amazonas, apresentação de alunos nos festejos do Dia das Mães.
Edifico dos Correios e Telégrafos da cidade de Amapá, com sua arquitetura inusitada se destacando entre o casario modesto.
Nas celebrações do 23º aniversário da ICOMI no Amapá, o Manganês enfrentou o Clube do Remo em Serra do Navio.
Região do Araguari, onde seria construída a Hidrelétrica do Paredão.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Pretérito mais que perfeiro (HQ de Otoniel Oliveira e outros quadrinistas paraenses, 2015)

Encontrei essa HQ aleatoriamente em uma livraria, no que apresentou-se muito interessante e instigante, elaborada por uma talentosa turma do Pará.

O quadrinho Pretérito mais que perfeito, foi lançado em 2015 em comemoração aos 400 anos de Belém. A idealização é de Otoniel de Oliveira e conta com diversos artistas regionais convidados.
Apresenta 15 historietas interligadas (de duas páginas) que se passam em um banco da Praça da República, em Belém, entre os anos 1869 e 2032. Apesar de independentes, cada história termina com um questionamento que é respondido na história seguinte, formando uma trama maior.
O enredo, de Otoniel e Petrônio Medeiros, é constituído por episódios históricos (como escravidão, a era da borracha, tenentismo, ditadura, Collor e 'Jornadas de Junho', como ficaram conhecidos os protestos de 2013) e trata também de questões culturais (como o Círio de Nazaré e sobre a escassez de água em 2032).
Em cada capítulo ou episódio, uma composição gráfica distinta inspirada em um movimento artístico e quadrinista renomado. Entre as referências estão Impressionismo, Art Nouveau, Pop Art, Futurismo, Cyberpunk Distópico, Underground e outros. E entre os artistas referenciados estão Will Eisner, Angelo Agostini, Moebius, Pollock, Jack Kirby, citando apenas alguns.
No índice da obra é informado o ano em que se passa a história, o autor e as técnicas de elaboração como, por exemplo, retícula digital e aquarela.
(Texto de Beatriz Bento, publicado em jornalempoderado.com.br, onde encontramos mais informações)

Título: Pretérito mais que perfeito
Roteiro: Otoniel Oliveira e Petrônio Medeiros
Arte: Otoniel Oliveira, Andrei Miralha, Carlos Paul, Diogo Lima, Rafa Marc, Volney Nazareno, Emmanuel Thomaz, Adriana Abreu, Dorival Moraes e Rosiani Olívia
Editora: Independente (Edição do Autor)
Páginas: 72
Ano do lançamento: Fevereiro de 2015

Ilustração da terceira história (Que vem a ser a beleza?), que se passa em 1905, período que valoriza a Belle Epoque. O estilo é baseado na Art Nouveau e o artista inspirador é Winsor MacCayOuça a música para o contexto NESTE LINK
Ilustração da quinta história (O que falta?), ambientada em julho de 1924. O Movimento Tenentista é o pano de fundo, com estilo gráfico em Art Decó e referência no artista Hal Foster. Ouça a música para o contexto NESTE LINK.

A HQ tem uma proposta espetacular, com histórias distintas que se unem para um retrato histórico da sociedade em Belém. Isso pode ser contado de várias maneiras, mas o caminho escolhido na HQ é instigante e inovador na região. Os autores selecionaram um lugar, a Praça da República, e com essa centralização, fazem um passeio através dos tempos, mostrando coisas curiosas e históricas em 15 momentos, iniciando em 1869 e findando em 2032. Há uma pesquisa cuidadosa para cada período, no retrato de época e concepção artística em vigência. Além dos quadrinhos, tem o texto curioso da pesquisa no final. Obviamente, o momento futurista é um devaneio, mas baseado em projeções atuais.
Me veio a mente um momento que poderia ser aproveitado na HQ: a chegada dos missionários suecos Gunar Vingren e Daniel Berg em Belém, no ano de 1910. Após o desembarque, caminharam pela cidade, sem conhecer nada, apenas sentindo-se vocacionados a uma missão, chegando até essa praça, onde os caminhos começaram a se abrir para a obra que fundaram no ano seguinte - a Igreja Evangélica Assembleia de Deus - iniciando o movimento pentecostal no hemisfério sul. Tem até um banco na praça que os homenageia.
Pretérito Mais Que Perfeito é uma HQ legal, instigante, reveladora e das melhores que li na região. O passado revisto e recontado várias vezes.
Última observação, a HQ tem trilha sonora para embalar essa viagem, com 15 faixas concebidas com cuidado, inspiradas no contexto e estética de época, disponibilizadas pelos autores na net, para a galera curtir. OUÇA AQUI
Por essas e outras, uma obra-prima da Amazônia.
(Texto de Rogério Castelo no skoob.com.br)

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Revista ICOMI Notícias nº 17 (1965)

Edição de Maio de 1965. Entre as reportagens:
- Novos decenalistas premiados: a empresa dava um relógio para os funcionários que completavam 10 anos de serviço. A edição cita e mostra a foto de 58 decenalistas.
- Minerações na Libéria e Gabão: o professor Iphygenio Soares Coelho relata para a ICOMI Notícias observações colhidas em visita à Àfrica e Índia, por ocasião do XXII Congresso Internacional de Geologia, realizado em Nova Deli. O professor visitou minas de minério de ferro e manganês na Libéria, Gana e Gabão. É a principal reportagem da edição, tendo seis páginas com impressões e especificações técnicas sobre as visitas.
- Castanheira - uma fonte de riqueza: texto de parecer botânico e econômico.
- Rachel de Queiroz - Viagem à Amazônia: artigo publicado na revista O Cruzeiro, de 08/05/1965, sobre as impressões da escritora na visita a ICOMI no Amapá.
- Funcionários do mês: Natan Soares do Nascimento / Washington Alves Ferreira - "Pará".
- O craque do mês: Getúlio Barbosa dos Santos - "Bacuri".



Algumas imagens: 

Vicente de Souza Filho, iniciador da escola de futebol em Serra do Navio,
com grupo de jovens desportistas serranos.
Usina de Beneficiamento de Serra do Navio. 
 Curso de Solda em Serra do Navio.
 Crianças aprendendo a nadar, no Santana. 
Ilustração na capa e contracapa da edição, destacando o símbolo da empresa.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

"O Peregrino" e "A Peregrina" (John Bunyan, século XVII)

Você já ouviu falar sobre esses dois livros? Te convido para conhecê-los!

O Peregrino
Li algumas vezes (a primeira em 1990, de uma vez só) e à cada leitura há incentivo e edificação na vida cristã. Foi publicado em 1678 e tem atravessado os séculos com mensagem atual e instigante, transformando-se em um dos mais conhecidos clássicos no meio cristão.
A caracterização é o anuncio do Evangelho através de uma parábola sobre o significado de ser cristão, tendo riqueza de detalhes em aspectos corriqueiros nessa jornada. Mostra ensinamentos bíblicos referentes à situações diversas (como a Porta e Caminho Estreitos, o Vale da sombra da morte e a Armadura de Deus) e personagens que se encontra nesse caminho ou que estamos sujeitos a nos tornar (o Cristão, o Vacilante, o Fiel, o Sábio-segundo-o-mundo, entre outros).
A história nasceu de um sonho quando o autor estava encarcerado por perseguição na Inglaterra, em razão da pregação do Evangelho.
Algumas considerações, para concordar ou não...
Na jornada do Cristão, entre os três peregrinos que chegaram à Cidade Celestial (Cristão, Fiel e Esperança) o que mostrou maior maturidade em sua vida, na minha visão, foi o Fiel. A receptividade ao Evangelho, zelo e postura parecem mais consistentes. É como uma pessoa que recebe o Senhor com muito ardor e segue nesse caminho com a chama do primeiro amor sempre acesa. Foi o único martirizado na história (talvez apenas ele suportasse essa tribulação com fé em Cristo naquele momento, o que se deseja evidenciar como exemplo de perseverança).
Cristão é um pouco débil e tem crescimento lento (mas contínuo), aprendendo com seus erros também. Passa a imagem de uma pessoa que quer seguir a Cristo, mas é cheia de fraquezas em pontos que vão aos poucos sendo fortalecidos e trabalhados por Deus. É decidido, o que é essencial para esse processo. Ao longo da jornada percebemos seu crescimento, que foi do Pântano da Dúvida (onde tinha só uma noção superficial do Evangelho) ao enfrentamento de feroz inimigo como o Apolião (tendo tomado posse das ferramentas que o Senhor ensinou em sua Palavra, antes desconhecidas, quando vivia algo superficial e de aparências na cristandade).
Já o Esperança é alguém que canaliza tudo para o Senhor, sendo bastante emotivo. Parece o mais sentimental e isso pode ser um perigo como guia, pois na vida cristã a determinação não pode se firmar apenas na emoção, precisando, às vezes, de uma decisão árdua e resoluta. Por isso ele e Cristão caminharam juntos para a cidade, fortalecendo-se mutuamente nas horas mais difíceis. Comunhão é importante e precisamos desenvolver com a igreja.
Muitos personagens são descritos e vou deixar em registro o Loquaz, a Sensualidade, o Interesse-próprio e o Sábio-segundo-o-mundo, que rotineiramente encontrarmos. Podemos ceder a seus conselhos e nos transformar neles facilmente quando não há vigilância. Representam a hipocrisia, a entrega ao prazer fora dos propósitos divinos, o egoísmo e a rejeição à Palavra de Deus.
Com certeza tem muito mais coisas para serem reveladas. Isso foi uma interpretação minha, como você vai ter as suas pós leitura.

A Peregrina
Novidade que descobri à pouco tempo e foi a segunda vez que li. Fala da esposa do Cristão, que tinha decidido não trilhar o caminho do Evangelho e permanecer na Cidade da Destruição. Não tem a diversidade de personagens ou situações do primeiro livro, mas apresenta peculiaridades que só agora comecei a notar.
Um diferencial legal é que a caminhada é ao lado dos parentes (os filhos), trazendo a percepção de vida familiar. O Peregrino concentra-se na individualidade, enquanto essa obra mostra um sentido de comunidade na vivência cristã. Além dos quatro filhos, o grupo vai crescendo com outros membros, que são diferenciados, mas todos peregrinos no mesmo propósito. São eles: Grande-Coração, Firmeza, Misericórdia, Valente-pela-Palavra, Integridade, Mente-Fraca, Quase-Desistindo, Desalento e Excessiva-Timidez. 
A questão de vida familiar e irmandade se fortalece no seguinte: Cristã estava viúva e a personagem Grande-Coração lembra e projeta a figura do pai (até então ausente). Tive essa sensação, pois assemelha-se ao que ensina as Sagradas Escrituras na abordagem da família. Ele ama a cada um indistintamente, cuida, protege, ajuda, aconselha, caminha dando exemplo e é uma referência.
A vida familiar se revela também nas dificuldades que Cristã passou com os filhos (como o jovem que ficou doente por não ter vigilância ou experiência em algo atrativo no caminho, sendo seduzido... e qual pai não está sujeito a sofrer pelos filhos em suas más escolhas), sendo amparado e fortalecido nesse momento de fraqueza. A história tem também casamento, peregrinando o caminho. Não lhe parece que valoriza e ensina sobre família?
A questão comunitária tem seus aspectos ressaltados, afinal, é um tipo de família também.  Quando li O Peregrino fiquei pensando se algumas daquelas personagens negativas, encontradas ao longo caminho, não poderiam ser transformadas, pois Cristão era um homem em suas características próprias, positivas ou não, sendo trabalhado por Deus para crescimento na fé. Outros não poderiam enveredar nisso com suas fraquezas? Sim e acompanharam Cristão por um tempo, mas desistiram e entregaram os pontos firmados em conceitos pessoais, de maneira que apenas Cristão, Fiel e Esperança (todos peregrinos no caminho em Cristo) atingiram o objetivo.
A Peregrina mostra o que desejei ver, pessoas que em suas debilidades permaneceram no caminho em busca do objetivo, mas para isso contando com a ajuda fundamental dos outros peregrinos. De início eram os últimos na marcha, mas Grande-Coração os trouxe para perto de si e auxiliava a cada um em suas debilidades. As lutas comuns na espiritualidade foram vencidas por todos. Qual a razão disso? Auxílio, ajuda, comunhão... com Cristo e com a igreja.
Peculiaridades do livro:
- Há uma personagem no caminho chamado Timorato (presente também no outro). Minha observação em relação a ela é a necessidade de atualização da linguagem. Nunca tinha topado com essa palavra e na busca do significado descobri que exprime receio ou medo, covardia. Então é um medroso em seu contexto, o que tem que ser traduzido para o leitor.
- Misericórdia foi uma jovem que iniciou a jornada junto com Cristã. Ela é muito sentimental e até receosa, mas deixou um exemplo de confiança no Senhor antes de se deixar dominar por seus medos. Clamemos a misericórdia de Deus e perseveremos. Foi o que fez. A vitória nos propósitos de Deus é certa! Ah, não poderia deixar de registrar que Misericórdia casou com um dos filhos de Cristã e essa amizade lembra Noemi e Rute.
- Que felicidade ver que Mente-Fraca e outros com nomes nada nobres alcançaram o objetivo! Pensei que tinham desistido, pois em vários momentos não são focados pelo narrador e depois surgem de novo, com suas debilidades mas contínuos. Ressalto que, apesar do nome, coisa que os estereotipou, foram transformados e persistiam. Assim, foram vitoriosos quando carregavam um fardo que os estimulava à desistência, designando-os derrotados. Era algo que os caracterizava e como ficaram conhecidos na vida pregressa, porém, com Cristo, isso não se tornou em âncora nas suas vidas. A comunhão e auxílio que receberam e viveram foram fundamentais. 
Novamente vale o registro, a obra vai além do que apresentei.

Livros edificantes ao coração.