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segunda-feira, 23 de julho de 2018

Mazagão: a cidade que atravessou o Atlântico (Laurent Vidal)

1769. Na fortaleza portuguesa de Mazagão, situada no noroeste da África, Marrocos, cercada pelos mouros, os moradores se irmanavam num movimento incomum. Para estes 1642 habitantes, a data ficará gravada com fogo na memória de cada um, apesar desta praça, desde 1509 sob a posse da Coroa portuguesa, já ter passado pelas mais dolorosas privações. Durante 260 anos, as sucessivas gerações de moradores, vivendo isolados do restante do continente, numa fortaleza debruçada sobre o mar, ao qual se ligavam por uma estreita porta, haviam sido fustigadas pelo isolamento, pela fome, pelas epidemias, pelos conflitos internos, mas também pelo tédio e pela inércia, todos subprodutos da sua reclusão. Mas nada se comparava ao que estava para acontecer. Apesar de todas as dificuldades, ao longo dessa longa jornada, haviam sempre resistido bravamente. 
Nesse livro, como Homero, inspirado pela musa da História, Laurent Vidal nos revela, de maneira brilhante e instigante, os destinos de Mazagão, uma cidade-odisseia que atravessa o Atlântico.
(Trecho do artigo de Júnia Ferreira Furtado, disponível NESTE LINK)



Informações da obra
Título: Mazagão: a cidade que atravessou o Atlântico
Autor: Laurent Vidal
Ano: 2008
Páginas: 294

Registro no SKOOB
A obra amplia o conhecimento sobre Mazagão e sua história em detalhes pouco conhecidos. Vemos o contexto vivenciado na cidade em Marrocos, fatores determinantes para a mudança e os passos que se somaram até a vinda de várias famílias para o Amapá. As informações foram pesquisadas nos três continentes envolvidos, evidenciando-se aspectos históricos, políticos, sociológicos, econômicos, geográficos e culturais do século XVII.
Leitura rica em percepções, descobrimentos e reflexões que podem servir de paralelo no estudo das cidades em fluxo migratório na atualidade, uma das propostas ressaltadas. O autor procura desmistificar muita coisa que se estabeleceu e, à luz dos fatos apresentados, instiga a criticidade em história com episódios impactantes.
Registrando algo mais específico, a Mazagão de Marrocos é apresentada em suas características físicas (onde se destacava a imponência das muralhas que chegavam a 14 metros de altura), a importância como entreposto para Portugal, a instabilidade política e a insatisfação que despertava entre os povos no Marrocos, além do cotidiano estabelecido.
Destaca-se o fato de, na prática, ser uma cidade prisão, onde Portugal enviava exilados e condenados em estratégia política com desfaçatez. Ocorreram episódios de fome e epidemias devido rupturas comerciais, quando Portugal fora atingido por terremoto e sofreu com pressões da Espanha e França, redirecionando o foco político para a colônia brasileira.
Uma das partes mais interessantes está na política de remanejamento, em que os governantes portugueses articularam algo que os exaltava como salvadores e também vencedores da tensão estabelecida na África. Porém, o povo se sentia abandonado e sofria graves consequências com os conflitos crescentes no interior e exterior da cidade.
As estratégias políticas escusas estão presentes também na articulação da vinda para a Amazônia, quando os mazaganenses foram encorajados pelos governantes como soldados da fé e teriam a dádiva de evangelização entre os povos nativos em um novo mundo. 
Algo que nunca tinha ouvido falar: Laurent Vidal relata arbitrariedades contras famílias na vinda para a colônia, que incluiu abusos e assassinatos.
Na chegada ao Brasil o livro tece considerações da passagem por Belém, onde podemos destacar que o remanejamento para Nova Mazagão, ao contrário do que aconteceu nos deslocamentos anteriores, em bloco, dessa fez foi redirecionado em unidades familiares, em uma espera de até sete anos. Transposição feita através de canoas gigantescas, que comportavam cerca de 50 pessoas em trajeto por igarapés que durava em média 10 dias.
A nova localidade logo recebeu status de vila e teve caracterizações peculiares, assumindo outra identidade da Mazagão africana, destacando-se o isolamento, a identidade mestiça, insatisfações e conflitos pelas dificuldades enfrentadas, clima hostil à população desconhecedora da realidade, episódios de fome, fugas em massa de indígenas e escravos afrodescendentes, saída de muitos mazaganenses deixando para trás familiares, declínio crescente pela escassez de mantimentos e enfrentamento de endemias amazônicas. O autor referencia que no século XIX assumiu a identidade quilombola e uma nova cidade assumiu maior importância nas proximidades, Mazagão Novo em 1915, restando a antiga localidade a lembrança como Mazagão Velho.
Na parte final há descrição da Festa de São Tiago, festejo popular na mistura de religiosidade e paganismo. Os principais momentos são citados e as impressões do autor mostram uma valorização ilusória, pois tanto a Mazagão africana, quanto a Mazagão amazônida tiveram histórias de derrotas e declínio, iludidas em política que inflava os ânimos e encobria a realidade através da religiosidade.
Estas e outras informações enriquecem o livro, com ilustrações diversas. 

Percurso das canoas entre Belém e Nova Mazagão (ilustração do livro).


Em Macapá, está disponível para consultas
na Biblioteca Pública Elcy Lacerda
e Biblioteca Ambiental da SEMA.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

HISTÓRIA DA ASSEMBLEIA DE DEUS NO AMAPÁ (Revista de EBD)

Há 101 anos nascia a Assembleia de Deus no Amapá, a primeira igreja evangélica amapaense, fundada pela iniciativa pioneira e determinada de um pequeno grupo em 27/06/1917, em culto presidido pelo pastor Manoel José de Matos Caravela. História com desdobramentos abençoados, que servem hoje de inspiração para a congregação estabelecida, estudada em Revista de Escola Dominical no ano passado. A edição é valorosa no resgate histórico, com várias ilustrações do contexto.

Lições estudadas
01) Como tudo começou
02) O poder de uma visita
03) A fundação da igreja no Amapá
04) Os primeiros pastores fixos
05) O 1º templo é construído
06) As décadas da consolidação
07) A caminho do interior
08) A igreja cresce pelos departamentos
09) Os jubileus: Prata, Ouro e Diamante
10) Heróis anônimos
11) O legado da família Alencar
12) A igreja mãe e suas filhas ministeriais
13) A geração do centenário

Na elaboração, a supervisão editorial foi feita pelo Pr. Oton Miranda de Alencar e os comentários pelo Pr. Besaliel Rodrigues, que presidiu uma comissão histórica, entre membros e apoiadores, composta por: Gedielson Oliveira, Áurea Tito, Leiliane Bruce, Kelly Rodrigues, Cláudio Roberto, Carlos Laerte, Mércia Vanessa, Anderson Oliveira, Iaci Pelaes, Gesiel Oliveira, Odete Penafort e Aroldo Vasconcelos.

Mais informações sobre a igreja em

quarta-feira, 30 de maio de 2018

História de Marabá (Maria Virgínia Bastos de Mattos, 2013)

Este livro é um trabalho feito com a determinação de quem pretende socializar o conhecimento do que ocorreu e ocorre na região de Marabá, desde os primórdios de sua ocupação até os dias atuais. E começa bem: pela história dos remanescentes indígenas que ainda resistem neste mesmo espaço. Depois vem o 'branco', e a mistura de povos e atividades como a extração do látex do caucho e da castanha-do-brasil, o garimpo de diamantes, de cristal de rocha, de ouro, de ferro, de cobre. Interesses e fatos vários se dilaceram na Guerrilha do Araguaia, na abertura de estradas, no fortalecimento da pecuária e extração de madeira. Grandes e pequenos disputam e se digladiam por terra e lugar ao sol. (Gutemberg Guerra)

 
Literatura Paraense
Título: História de Marabá
Autora: Maria Virgínia Bastos de Mattos
Editora: Fundação Casa da Cultura de Marabá - FCCM
Páginas: 190
Ano: 2013 (2ª edição, revisada e aumentada)

Sumário
01) Primeiros habitantes
02) A ocupação pelo homem 'civilizado'
03) O Burgo do Itacaúnas e a descoberta do caucho
04) Marabá, primeiros tempos: da origem a 1920
05) Marabá, de 1923 a 1940
06) O ciclo da castanha-do-pará
07) Garimpos de diamantes e de cristal
08) Os anos de 1940 e 1950, os 'Soldados da Borracha': nova fase de exploração do caucho
09) A posse da terra e o incremento da pecuária
10) Chegam as estradas... e tudo começa a mudar
11) A Guerrilha do Araguaia
12) Serras dos Carajás
13) Conflitos fundiários: posseiros, grileiros e fazendeiros
14) Crescimento urbano de Marabá até 1960
15) As enchentes
16) Serra Pelada: muito ouro, poucos ricos
17) A década de 1980
18) Conflitos e organização no campo
19) Alguns acontecimentos da década de 1990
20) A indústria siderúrgica
21) Outras indústrias metalúrgicas
22) Os anos 220 a 2013
23) Violência e impunidade, os desafios do século XXI
24) Riquezas naturais
25) Datas importantes da História de Marabá
26) Marabá: o hino, a bandeira e o escudo

Não conheço Marabá, município paraense, mas me interesso pela leitura sobre as cidades na Amazônia, em suas histórias e peculiaridades. Dá para estabelecer contrastes e paralelos, que apontam aspectos comuns na ocupação da região em políticas no trato com o ambiente, população e exploração dos recursos naturais.
Encontrei esse livro por acaso em uma sala de leitura e logo me entusiasmei pelo passeio em suas páginas.
A impressão que tinha se confirmou em relação à obra, que mostra em primeiro momento os povos indígenas, descrevendo em seguida a chegada dos colonizadores, conflitos, estabelecimento de cultura extrativista, exploração em larga escala de recursos naturais e impacto ambiental.
A questão indígena é bastante conflituosa e a autora traz relatos de embates que praticamente dizimaram algumas populações. Alguns desses relatos são apresentados como barbárie e tornaram-se mais evidentes a partir da década de 1920, quando iniciou a construção da Estrada de Ferro Tocantins.
No extrativismo, o destaque foi para a extração do látex do caucho e exploração da castanha-do-brasil (prefiro esse nome). Os grandes empreendimentos se estabeleceram na exploração mineradora de diamante e ferro, destacando-se o empreendimento em Carajás. Repete-se o cenário comum na Amazônia de empreendimentos em grandes latifúndios, conflitos no campo, exploração da mão de obra com salários mal remunerados, pressão sobre o meio ambiental e reversão de poucas benfeitorias locais em relação à riqueza explorada.
Nas peculiaridades da região, a fundação de Marabá foi em 1898, quando houve o estabelecimento de um barracão comercial no ponto de encontro entre os rios Itacaiúnas e Tocantins. O barracão tinha por nome Marabá, como uma homenagem ao poema de Gonçalves Dias. Esse aspecto geográfico é representado na bandeira municipal. Em 1913 o município foi oficializado.
A história mostra conflitos que tiveram repercussão mundial, como o massacre de trabalhadores sem terra em Eldorado em 1996. A autora ressaltou que os dados mais recentes do IBGE, na época de lançamento do livro (2013 - 2ª edição), apontam o município como um dos mais violentos do país (4º), principalmente em relação ao campo e à delinquência juvenil. A origem estaria nas impunidades na esfera da justiça, fiscalizações precárias e policiamento deficiente.
Segundo a abordagem, é uma região com muito potencial de riquezas naturais, mas também com muitos conflitos, exploração pouco sustentável e desenvolvimento desigual para a região em relação à riqueza explorada.
Aspectos que a leitura faz perceber, evidenciados pela autora (também estudiosa de História e bibliotecária).
Penso que faltou referências para a parte cultural da região. Certamente tem coisas sensacionais para descoberta e leitura.
Um registro final, o livro é uma segunda edição, atualizada pela autora em celebração ao centenário do município em 2013.
Valeu a leitura! Gostaria de descobrir mais coisas e quem sabe um dia visitar a região.

Marabá (Pará). Vista frontal da cidade e sua orla no encontro dos rios Itacaiúnas e Tocantis. (Foto: Ricardo Teles, estraída de portalcanaa.com)

Em Macapá, a obra pode ser consultada 
na Biblioteca Ambiental da SEMA 
e na sala de pesquisas 
do Museu de Arqueologia e Etnologia do IEPA.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Revista ICOMI Notícias Nº 21 (1965)

Edição 21, publicada em Setembro de 1965. Destaques para:
- Terra fértil, a agricultura no Amapá é caminho para o progresso:  enfatiza que as terras amapaenses suportariam grandes empreendimentos, a serem desenvolvidos pela COPRAM e BRUMASA.
- Operação Rio Amapari: sobre parceria da empresa com ribeirinhos, em exemplo de dinamização de setores econômicos em região não desenvolvida.
- Leandro Tocantins encontra a casa ecológica no Amapá: texto apresentado em conferência sobre a Amazônia (realizada em Belém e Manaus), registrado na obra 'Região, Vida e Expressão', do professor e pesquisador Leandro Tocantins.
- Amapá sempre alerta: relato da viagem de grupo de escoteiros amapaenses ao Rio de Janeiro, para participar do I Jamboree Pan-Americano.
- Madeira, riqueza nova para o país: enfatiza a riqueza florestal amapaense e a importância da instalação da BRUMASA para promover desenvolvimento.
Como se observa, edição meticulosa na propaganda institucional. 

IMAGENS DA EDIÇÃO
Encontro de escoteiros do Amapá com os de Minas Gerais (ICOMI - ICOMINAS), no Rio de Janeiro, por ocasião do I Jamboree Pan-Americano. 
 Ilustração da Operação Amapari.
 Ribeirinhos do rio Amapari.
 Ilustração da Operação Amapari.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Revista ICOMI Notícias Nº 20

Edição de Agosto de 1965, destacando:
- Mais minério, mais divisas - exportar minério é enriquecer o Brasil: a reportagem fala da exportação do minério de Serra do Navio (estimada em 800 mil toneladas anuais), dando ênfase aos "royalties", impostos e salários vultuosos que seriam revertidos para o Território Federal do Amapá.
- A hora antes do amanhecer: continua a série sobre os municípios do TFA apresentando Mazagão, em breves aspectos históricos e econômicos. Nada falaram sobre a Festa de São Tiago, o que acredito ser um lapso grande.
- O Mistério da Amazônia Misteriosa - um simples problema de confiança: texto enfático a necessidade e importância de exploração da Amazônia. O autor inicia a abordagem citando o romance de Gastão Cruls (A Amazônia Misteriosa), que é uma ficção científica publicada em 1925, insinuante a segredos e experimentações esdrúxulas na região. O que se desejava, na revista, era mostrar que os segredos amazônicos são suas potencialidades e os investimentos propostos só promoveriam o desenvolvimento, numa forma de desmistificar qualquer visão negativa.
Lembro aos amigos que me limito em descrever o que a revista apresentou. 
ALGUMAS IMAGENS:
Ilustração ao desenvolvimento proposto na Amazônia. 
 Mulheres do Mazagão dançando o Sairé.
 Mazagão Velho.
Largada para a "I Volta de Serra do Navio" (1965), prova com 5 mil metros.

terça-feira, 8 de maio de 2018

O Marabaixo através da História (Fernando Canto, 2017)

Divulgando mais obras do acervo de nossa Biblioteca SEMA-AP, em Macapá. Essa é do escritor Fernando Canto, com um breve estudo sobre o Marabaixo. No lançamento, em 2017, foi apresentada com o seguinte parecer:

Nos 259 anos de existência de Macapá, um dos mais conceituados escritores e sociólogos da Amazônia, Fernando Canto, presenteou a cidade e seus moradores com o lançamento de nova obra literária: O Marabaixo através da História. O livro, nascido de uma palestra feita no Marco Zero do Equador por ocasião de um evento turístico, propõe uma explanação didática sobre o Marabaixo no Amapá, seus rituais e sua importância enquanto elemento cultural característico do estado, mas, sobretudo, do município de Macapá. Trata-se também de uma colagem de textos escritos ao longo do tempo e publicados em jornais da capital e em livros de Fernando Canto. Vemos vários rituais que compõem essa manifestação e personagens que dão vida à tradição – tocadores de caixas (tambores), cantadores e dançadeiras – que, em sua maioria, são descendentes de negros que habitavam as localidades de Mazagão Velho, Maruanum, Curiaú e os bairros Laguinho e Santa Rita, antiga Favela.  
(RITA TORRINHA)

Título:  O Marabaixo através da História
Autor: Fernando Canto
Editora: PRINTGRAF
Ano: 2017
Páginas: 50

Sumário: 
- O Marabaixo no século XIX
- As perseguições
- A Festa do Divino Espírito Santo em Mazagão Velho / Conjecturas
- O Encontro dos Tambores
- Marabaixo em agonia: o surgimento da Marabaixeta
- Banzeiro do Brilho de Fogo / Origens
- As rupturas
- O "Ladrão de Marabaixo"
- A chegada do primeiro avião
- A caixa do Marabaixo
- Considerações finais 

Fragmento da tela "Marabaixo"
de Ivam Amanajás.
Fernando Canto é um dos principais pesquisadores e protagonistas na cultura amapaense, com várias obras nos segmentos da música, poesia, contos, crônicas e estudos de conotação histórica e sociológica. Essa obra enriquece a bibliografia sobre o Marabaixo, principal manifestação popular no Amapá, tema também de outras obras do autor. Foi lançada em 2017 e o que caracteriza sua identidade é a apresentação sucinta do tema, valorizando a origem, aspectos históricos, peculiaridades e perspectiva almejada pelo autor na preservação cultural. Certamente, ferramenta preciosa como fonte de pesquisas para a comunidade estudantil.  
Entre os destaques, o resgate de jornal amapaense do século XIX sobre o festejo (texto ácido e preconceituoso no olhar de outros tempos), breve relato dos conflitos entre a cultura popular e a religião instituída, e a investigação histórica da origem de algumas particularidades: o Ladrão de Marabaixo, a Festa do Divino Espírito Santo, o Encontro de Tambores na UNA e o uso das caixas de Marabaixo na percussão.  
De tudo, gostei principalmente do relato da chegada do primeiro avião no Amapá (em ilustração de fatos instigantes aos "ladrões de Marabaixo") e a investigação da origem do nome do festejo. É clássico, desde o livro de Nunes Pereira (O sahiré e o marabaixo, publicado na década de 1950) a associação com a vinda de povos afro, na travessia e andanças MAR ABAIXO, mas nunca tinha visto a associação do nome em outro sentido, relacionado à cultura malê, que Fernando Canto resgata do estudo do escritor Távora Buarque (leia o livro se quiser saber, pois esse spoiler não vou registrar).  
É uma obra dinâmica na apresentação dos fatos, de leitura fácil e rápida. 
O único aspecto que não curti foi a ausência de fotografias, algo que agregaria olhar mais detalhado na importante manifestação cultural.
(Registro no SKOOB, em 05/05/2018) 

Para a galera interessada, está disponível para consultas na 
Biblioteca Ambiental da SEMA, em Macapá.

domingo, 6 de maio de 2018

Revista ICOMI Notícias Nº 19 (1965)

Edição de Julho de 1965. Entre os destaques:
- A fábrica de gelo de Serra do Navio: produzia e distribuía gelo gratuitamente às comunidades nas adjacências da Vila de Serra do Navio e EFA. O texto a exalta pela importante e anônima contribuição para a economia regional. Ué? Nunca tinha ouvido falar dessa fábrica!
- Amapá, uma economia em mudança: sexta reportagem de uma série sobre o Território Federal do Amapá. Destaque para os planos, estudos e expectativas para a construção da Hidrelétrica do Paredão.

IMAGENS DA REVISTA:
 Orla de Macapá (1965)
 Alunos da Escola de Vila Amazonas em atividade relacionada ao Dia da Árvore.
Alunos da Escola de Vila Amazonas visitando a Fortaleza.
Cachoeira do Paredão com seus 9 metros de queda d'água, onde seria construída a barragem da Hidrelétrica.
Município de Mazagão, assunto para a próxima edição.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Revista ICOMI Notícias Nº 18 (1965)

Edição de Junho de 1965.
- Surge IRDA para desenvolvimento: sobre o Instituto Regional de Desenvolvimento do Amapá, estabelecido em maio de 1965. Segundo o texto, se destinaria à pesquisas sobre problemas sociais e econômicos do Território Federal do Amapá, indicando soluções para o desenvolvimento.
- 23º aniversário da ICOMI no Amapá: festejos nas vilas.
- Município de Amapá, sua história e sua gente: quinta parte da série "Revelando o Amapá". É a principal reportagem dessa edição que, em seis páginas, recapitula a história regional e a realidade do contexto de época.
- Funcionários do mês: "Seu" Jonas / Claudethe Santana da Silva
- O craque do mês: Carlos Alberto Amaral da Silva (Carlitos).
Imagens da revista:
Na Escola Paroquial, mantida pela Associação das Senhoras de Vila Amazonas, apresentação de alunos nos festejos do Dia das Mães.
Edifico dos Correios e Telégrafos da cidade de Amapá, com sua arquitetura inusitada se destacando entre o casario modesto.
Nas celebrações do 23º aniversário da ICOMI no Amapá, o Manganês enfrentou o Clube do Remo em Serra do Navio.
Região do Araguari, onde seria construída a Hidrelétrica do Paredão.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Pretérito mais que perfeiro (HQ de Otoniel Oliveira e outros quadrinistas paraenses, 2015)

Encontrei essa HQ aleatoriamente em uma livraria, no que apresentou-se muito interessante e instigante, elaborada por uma talentosa turma do Pará.

O quadrinho Pretérito mais que perfeito, foi lançado em 2015 em comemoração aos 400 anos de Belém. A idealização é de Otoniel de Oliveira e conta com diversos artistas regionais convidados.
Apresenta 15 historietas interligadas (de duas páginas) que se passam em um banco da Praça da República, em Belém, entre os anos 1869 e 2032. Apesar de independentes, cada história termina com um questionamento que é respondido na história seguinte, formando uma trama maior.
O enredo, de Otoniel e Petrônio Medeiros, é constituído por episódios históricos (como escravidão, a era da borracha, tenentismo, ditadura, Collor e 'Jornadas de Junho', como ficaram conhecidos os protestos de 2013) e trata também de questões culturais (como o Círio de Nazaré e sobre a escassez de água em 2032).
Em cada capítulo ou episódio, uma composição gráfica distinta inspirada em um movimento artístico e quadrinista renomado. Entre as referências estão Impressionismo, Art Nouveau, Pop Art, Futurismo, Cyberpunk Distópico, Underground e outros. E entre os artistas referenciados estão Will Eisner, Angelo Agostini, Moebius, Pollock, Jack Kirby, citando apenas alguns.
No índice da obra é informado o ano em que se passa a história, o autor e as técnicas de elaboração como, por exemplo, retícula digital e aquarela.
(Texto de Beatriz Bento, publicado em jornalempoderado.com.br, onde encontramos mais informações)

Título: Pretérito mais que perfeito
Roteiro: Otoniel Oliveira e Petrônio Medeiros
Arte: Otoniel Oliveira, Andrei Miralha, Carlos Paul, Diogo Lima, Rafa Marc, Volney Nazareno, Emmanuel Thomaz, Adriana Abreu, Dorival Moraes e Rosiani Olívia
Editora: Independente (Edição do Autor)
Páginas: 72
Ano do lançamento: Fevereiro de 2015

Ilustração da terceira história (Que vem a ser a beleza?), que se passa em 1905, período que valoriza a Belle Epoque. O estilo é baseado na Art Nouveau e o artista inspirador é Winsor MacCayOuça a música para o contexto NESTE LINK
Ilustração da quinta história (O que falta?), ambientada em julho de 1924. O Movimento Tenentista é o pano de fundo, com estilo gráfico em Art Decó e referência no artista Hal Foster. Ouça a música para o contexto NESTE LINK.

A HQ tem uma proposta espetacular, com histórias distintas que se unem para um retrato histórico da sociedade em Belém. Isso pode ser contado de várias maneiras, mas o caminho escolhido na HQ é instigante e inovador na região. Os autores selecionaram um lugar, a Praça da República, e com essa centralização, fazem um passeio através dos tempos, mostrando coisas curiosas e históricas em 15 momentos, iniciando em 1869 e findando em 2032. Há uma pesquisa cuidadosa para cada período, no retrato de época e concepção artística em vigência. Além dos quadrinhos, tem o texto curioso da pesquisa no final. Obviamente, o momento futurista é um devaneio, mas baseado em projeções atuais.
Me veio a mente um momento que poderia ser aproveitado na HQ: a chegada dos missionários suecos Gunar Vingren e Daniel Berg em Belém, no ano de 1910. Após o desembarque, caminharam pela cidade, sem conhecer nada, apenas sentindo-se vocacionados a uma missão, chegando até essa praça, onde os caminhos começaram a se abrir para a obra que fundaram no ano seguinte - a Igreja Evangélica Assembleia de Deus - iniciando o movimento pentecostal no hemisfério sul. Tem até um banco na praça que os homenageia.
Pretérito Mais Que Perfeito é uma HQ legal, instigante, reveladora e das melhores que li na região. O passado revisto e recontado várias vezes.
Última observação, a HQ tem trilha sonora para embalar essa viagem, com 15 faixas concebidas com cuidado, inspiradas no contexto e estética de época, disponibilizadas pelos autores na net, para a galera curtir. OUÇA AQUI
Por essas e outras, uma obra-prima da Amazônia.
(Texto de Rogério Castelo no skoob.com.br)